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É bom pensar antes de pedir licença
Junho 4, 2009, 5:01 am
Arquivado em: Cultura Corporativa, Internacionalização
A nova iorquina Cosmopolitan Magazine e a paulistana Nova: a versão brasileira nem denuncia que é uma publicação licenciada

A nova iorquina Cosmopolitan Magazine e a paulistana Nova: a versão brasileira nem denuncia que é uma publicação licenciada

Um fenômeno mundial muito comum no mercado editorial é a o licenciamento dos grandes títulos internacionais a editoras locais. Nesse modelo de internacionalização, a editora proprietária de um título vende a licença deste para editoras de outros países, que produzem uma nova publicação, com certas adaptações e adequações, mas com boa parte da proposta editorial e do projeto gráfico semelhante.

Isso costuma acontecer com títulos sobre comportamento, moda e celebridades, cuja adequação da revista à cultura e perfil de um país não chega a interferir na imagem e no posicionamento do título original, o que gera um relacionamento até mesmo amigável entre as editoras e as equipes de redação.

No entanto, no caso específico do Brasil, se considerar as peculiaridades e as diferenças entre os Brasis dentro de um mesmo país, muitas vezes, um título que advém de uma licença internacional não consegue ter autonomia editorial e acaba tendo cara de estrangeiro.

É o caso da versão brasileira de Rolling Stone, da Spring Publicações, cuja licença fora concedida pela Rolling Stone USA. A edição americana tem um conteúdo muito relacionado ao rock (e não é à toa), além de ter uma ligação muito forte com temas e personalidades políticas. No Brasil, a música tem uma conotação completamente diferente, variada, simultaneamente rica e pobre, que, de cara, já exige uma proposta editorial diferente. Assim, a edição brasileira se vê perdida entre as duas linhas de conduta, o que não gera uma identidade local nem uma identificação contínua com um mesmo – e significativo – segmento de leitor.

Em compensação, Caras, Elle, Marie Claire, National Geographic, Nova, Playboy e Vogue são exemplos de revistas licenciadas que conseguiram manter o estilo e a proposta das respectivas marcas internacionais, mas também promoveram uma adequação do conteúdo e da abordagem para um segmento específico de leitor brasileiro. A revista Nova, versão brasileira da nova iorquina Cosmopolitan, consegue até mesmo convencer de que não surgiu de um licenciamento. Produzida pela Editora Abril, consegue fazer uma revista com brasileiras na capa e conteúdo que seja inteiramente relevante a muitas mulheres do Brasil.

Outro caso interessante é a revista Men’s Health, publicada no Brasil pela Abril. Presente em vários países, a revista masculina sobre saúde e boa forma tem edições com capa muito idênticas, se comparadas, entre si, as edições internacionais. O ângulo em que o modelo é fotografado, a tipologia do texto e a abordagem das chamadas são realmente razões para ter capas confundíveis. No entanto, a redação da Men’s Health nacional afirma que não é tarefa fácil produzir a versão brasileira. Todo mês, com certa antecedência, a capa precisa ser enviada para a redação estrangeira aprovar. E frequentemente eles não entendem – e até não concordam – com a forma como os títulos da capa dialogam com o leitor. O humor, o calor e a espontaneidade presentes na cultura brasileira exigem um diálogo diferente com o leitor. Esses são alguns dos argumentos frequentemente enviados junto à capa pendente de aprovação, para que eles entendam que o Brasil e seu povo têm características peculiares, que o tornam pessoas e leitores diferentes.

Versões brasileira, sul africana e portuguesa da revista Men's Health, uma das principais publicações masculinas sobre saúde física e boa forma

Versões brasileira, sul africana e portuguesa da revista Men's Health, uma das principais publicações masculinas sobre saúde física e boa forma

Enfim, licença não é para qualquer um. Antes de bater na porta, deve-se pensar muito se o tipo de publicação permite o lançamento de uma versão local que consiga falar, interagir e influenciar os leitores locais. Isso sem falar que, no desespero para alavancar receitas e mais receitas, os valores, os princípios e a visão de uma editora interessada em comprar uma licença são frequentemente ignorados, enquanto a cultura organizacional deveria, sim, ser o critério norteador na tomada de decisões.


Por Mateus



O brasileiro que conquistou o mundo
Maio 31, 2009, 1:38 pm
Arquivado em: Internacionalização
The Hug, criação mais conhecida do artista plástico Romero Britto

The Hug, criação mais conhecida do artista plástico Romero Britto

Com cores e formas alegres e contrastantes, que denotam um estilo artístico único e lúdico, as pinturas do pernambucano Romero Britto se tornaram mundialmente conhecidas. Para o excurador da Bienal de Arte de São Paulo, Agnaldo Faria, as obras de Romero são divertidas, mas sem expressão artística. “Ele é um ilustrador”, resume, ao afirmar que suas obras “jamais fariam parte de uma mostra como a Bienal”. Seja arte ou não, a verdade é que Britto já chega a ser cogitado a integrar o time dos ícones da arte pop, como Andy Warhol e Roy Lichtenstein. Suas ilustrações caíram no gosto de celebridades, como Madonna, Bill Clinton, Michael Jordan e até mesmo de Paloma, filha de Pablo Picasso. O pernambucano, radicado em Miami, na Flórida, já criou peças publicitárias e embalagens para Absolut, Pepsi-Cola, Disney, IBM, Apple e também foi inspiração para coleções de moda de importantes estilistas, como o brasileiro Amir Slama (Rosa Chá), a americana Nicole Miller e os italianos Enrico Coveri e Gai Mattiolo.

“Exploro meu trabalho de todas as formas”, confessa Britto, que recentemente abriu um restaurante temático, decorado com suas artes, em Miami, onde mora com a mulher e o filho. A pintura a óleo, que chega a custar mais de 300 mil reais, é apenas um item do portfólio, do qual fazem parte também pôsteres, esculturas, desenhos, roupas, perfumes, livros, porcelanas e vidros. Romero, que também licencia suas criações para diversas marcas, já pintou mais de 5 mil telas, comercializadas em mais de 70 países.

“Na condição de criança pobre no Brasil, tive contato com o lado mais sombrio da humanidade. Como resultado, passei a pintar para trazer luz e cor para minha vida”, revela o pintor. É da Britto Central Miami, flagship store da marca na badalada Miami Beach, de onde saem todas as obras originais do artista, inclusive para a Galeria Romero Britto, na rua Oscar Freire, em São Paulo.

Britto mudou para os Estados Unidos e inaugurou lá sua marca (modelo greenfield de internacionalização), e hoje vende seus produtos para todo o mundo (modelo de exportação) e também licencia suas criações (modelo de licenciamento). É um típico brasileiro de origem humilde que conseguiu, através do bom humor, do otimismo e da criatividade, crescer não só na vida como no mundo. Ele, que não limita suas criações a uma pintura a óleo, pode ainda estar presente em lugares e objetos inimagináveis.

Por Mateus



Internacionalização que deu certo
Abril 24, 2009, 2:15 pm
Arquivado em: Internacionalização

loja da ZARA em NY

Ainda na saga Zara – modelo a se seguir – vamos falar um pouquinho sobre o modelo de internacionalização adotado pelo grupo Inditex, para sua unidade carro chefe.
Foi em Dezembro de 1988 que se deu a primeira abertura de uma loja Zara fora do território espanhol. Depois do sucesso em Portugal, o objetivo do grupo passou a ser o de levar a fast fashion Zara para as principais capitais de moda. O modelo adotado foi o de “franchising”, também conhecido como franquias, que nada mais é que oferecer um pacote personalizado de serviços, recursos e marca como meio de alcançar mercados mais distantes e culturas diversas.
Já na parte da produção, o grupo optou por investir no modelo de ou seja, terceirizar serviços, por ser a única forma de obter as peças de vestuário just-in-time e com menores custos. O segredo do sucesso da empresa está no seu formato. Enquanto tradicionalmente a indústria de moda produz as roupas e depois investe em marketing para vender aos clientes, a Zara procura saber o que os clientes querem para depois produzir e vender nas lojas. Mantendo estoques baixos e alta renovação nas prateleiras. Isso só é possível devido a uma estrutura verticalizada: quem dita o rumo da empresa não é a fábrica, mas sim as lojas.
Até então, o modelo não pode ser questionado, visto que vem dando resultado para o grupo Inditex, que, mesmo em tempos de crise e contra todas as análises de mercado que apontam para a queda no consumo, inaugurou em 2008, mais uma empresa de moda e pretende replicar o consagrado modelo de negócios da Zara, para a nova rede de lojas de acessórios.

Por Bruna Navas